Tentando encontrar alguém
Published at 2026-07-14Updated within 7 daysLanguage not supportedLicensed under CC BY-NC-SA 4.0diariosolidãoUltimamente venho tentando varias coisas diferentes, frequentar lugares diferentes, até a maneira como me visto está mudando, mas acho que estou tentando procurar uma solução onde não existe.
Por que recentemente eu comecei a me vestir de maneira alternativa? Ir a baladas góticas? Por que mesmo se estressar com isso?
Bom, venho tendo dificuldades de me conectar com as pessoas. Tenho amigos que conheço já há muito tempo, mas, apesar de considerá-los grandes amigos, já não sinto, há muito tempo, que conversamos na mesma língua. Esse tipo de coisa acontece: um dia vocês estão na mesma página, mal precisam de palavras para se comunicar; no outro, vocês se respondem, mas suas palavras já não alcançam uns aos outros.
Dito isso, venho me sentindo cada vez mais sozinho. Em algum momento, achei que lidava bem com a solidão; se isso foi verdade em algum ponto, já não é mais. Para além de me sentir sozinho, também sinto, desde que saí da escola, um vazio sem personalidade. Cada grupo lidava com um Yume; nunca me impus, talvez por dependência, medo ou ansiedade. Por qualquer que seja o motivo, nunca senti que tivesse uma identidade e, apesar de estar sempre consciente disso, é algo que só passou a me incomodar recentemente. O pior é que antes, ao menos, tinha uma visão de quem gostaria de me tornar e, mais recentemente, acredito que perdi até isso.
Também fui perdendo esperança nas pessoas e no mundo ao meu redor. Cada vez mais percebi o quanto me importava com as pessoas e quão pouco o mundo e as pessoas se importavam comigo. Talvez seja a ingenuidade da juventude indo embora.
Para quem não sabe o que quer, qualquer caminho serve.
Acredito que, me sentindo sozinho e perdido do jeito que estou, precisava, de alguma maneira desesperada, tentar construir uma identidade. Pensei: por que todos se vestem da mesma maneira? O mundo é tão duro em mostrar que não liga para mim, mas, assim que se segue por um caminho diferente do que é esperado, se é criticado e olhado de maneira esquisita. Eu sempre gostei dos esquisitos; pelo menos eles tentavam algo diferente, não tinham medo de fugir do padrão para se encontrar. Então é por isso que planejo, cada vez mais, me vestir de forma alternativa.
Quanto a ir a bares góticos e ouvir músicas góticas, acho que estava tentando procurar um lugar, um grupo, uma pessoa que pensasse de maneira similar, que aceitasse de braços abertos as minhas ideias malucas e que pudéssemos ter uma troca humana. Basicamente, um grupo de pessoas com quem eu realmente me sentisse conectado. Não que eu não me sinta conectado com meus amigos atuais, mas pessoas que realmente me entendessem.
O problema disso é que não tenho garantia nenhuma de encontrar alguém assim, e deveria aprender a lidar melhor comigo sozinho, lidar melhor com o não ser entendido e viver meu mundo. A verdade também é que, para isso dar certo, teria que interagir com essas pessoas, algo que precisa de algum trabalho para que eu possa desenvolver essa habilidade social. De qualquer forma, ao menos nesses ambientes, gosto da música, e gosto de poder dançar sem que ninguém me veja; o hambúrguer deles também é muito bom.
Acho que as minhas idas para esses lugares devem, no futuro, ser mais para dançar sozinho e comer meu hambúrguer mesmo, ou para chorar, como já aconteceu. Dessa maneira, é mais saudável: curto minha música e não tenho expectativa de nada acontecer. Quando estiver cansado e entediado, procuro um karaokê, um outro lugar ou vou para casa dormir. Como disse antes: "Para quem não sabe o que quer, qualquer caminho serve". Então, ainda estou completamente perdido tentando me encontrar. Se um dia disseram que isso fica mais fácil na vida adulta, estou tendo a experiência contrária.
O pior de tudo é que, quando mais novo, via minha falta de identidade e imposição como uma dissolução do ego. Via a minha maneira de ser como não me importar com o que os outros pensavam, mas, na realidade, ma pessoa passiva e sem personalidade é só alguém frágil e manipulável. Não existe ser humano sem ego, e existe um nível de moral e personalidade que posso levar para todas as relações. Isso não é construir ego, mas proteger seus valores e ideais. E dizer que não se importa com o que as pessoas pensam, enquanto isso, subconscientemente, pontua grande parte das suas decisões, é só se enganar.